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Solitude

“A linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho” (Paul Tillich)

Quem me segue sabe que tenho dois gatos. Adotei o Juca e a Nina depois de 1 ano de casada. Gosto muito de cachorros também, mas devido a minha rotina de viagens, escolhi cuidar de animais que não sofram tanto com minha ausência.

A Nina é muito calma, se fosse só ela, nem se perceberia a presença de animais em casa. Porém o Juca tem uma personalidade incrível. Já faz algum tempo, ele aprendeu a abrir a janela do meu quarto durante a noite. Ele passeia sobre nós, dá algumas voltas em torno de si e finalmente se deita entre nossas pernas. Aprendeu logo que beber água  corrente é muito melhor que  no potinho. Comprei uma fonte, dessas com motorzinho, mas não tive sucesso. Todos os dias quando acordo, ele sai correndo na minha frente, sobe no tanque e mia pedindo que eu abra a torneira. Quando ele quer um biscoito específico ele nos agrada, dá um salto do chão para o nosso colo e fica muito dengoso.

Muitas pessoas acham os gatos egoístas. Se chegamos ou partimos eles estarão lá no mesmo lugar. Indiferentes à nossa presença. Tendo suas necessidades básicas atendidas, passam o dia sem um carinho de boa. Parecem nunca precisar do nosso amor, parecem sempre não dar a mínima para a nossa existência.

A verdade é que a maioria das vezes não dão mesmo. E vivem bem assim. Quando querem carinho, comida ou atenção eles usam o que Deus deu pra eles, a beleza, a fofura, o charme e suas peculiaridades. A arma deles é ser um felino, e não um cachorro. O que eles tem pra dominar a gente é ser GATO. Eles não estão nem aí se você os acha melhor ou pior que um cão. Eles só sabem ser gatos!!!

Eles me ensinam muito. Fico pensando na necessidade de ser humano de ser paparicado o tempo todo e como isso alimenta quem não somos.

Acabamos criando um ser mimado que espera sempre ser aprovado pelo que faz para então decidir se está certo ou errado. Isso também é conhecido como insegurança e falta de auto-conhecimento.

Mas, o que isso tem a ver com o projeto gráfico?

Bom, pensamos muito em como traduzir em imagem tudo que eu queria dizer neste trabalho. Esta foi uma ideia desenvolvida em parceria com meu esposo Márcio Franks com o André da Fstop Fotografia e meu designer gráfico o José GasperaZZo

Agradeço muito a dedicação de vcs! Mas voltando ao conceito…

Foram dias de solitude. Diferente da solidão, a solitude é um lugar que Deus usa para ensinar a gente. É ter prazer em cavar e pensar sobre a vida e a existência. É um lugar que Deus usa para acalmar nosso ser e dar tempo para a melhor ideia nascer.

Foi na solitude de minha alma que esse projeto nasceu.

Para assumir quem de fato eu sou precisei me “descascar”. Sim, precisei me permitir nascer novamente. Assumir minha identidade e estar disposta a ser aceita ou não.  Deus me deu a arte e é apenas ela que eu tenho para falar o que queima em meu ser. A arte também tem a função de incomodar, talvez isso explique sua angustia ao ver as fotos deste novo projeto. Não tenha vergonha, está tudo bem. É apenas uma montagem, fique tranquilo. rsrs

Estou em dias de solitude com Deus e Ele tem me ensinado a recuperar o que Ele formou. As minhas peculiaridades são sua maior marca em mim, pitadas da sua imagem me fazem ter segurança e honestidade com meu público. Vocês estão caminhando comigo, crescendo comigo, se permitam ser incomodados pela arte. Se permitam voar! Este é meu convite neste EP.