Saudade
agosto 13, 2018

Vestindo o vento

Trecho

… ela dormia ao som das máquinas de costura. Em sonhos dançava no ritmo da agulha furando cada peça.

Tá tá tá tá…

Regia uma orquestra de máquinas, cada uma a seu tempo e som.

Pela manhã acordava no silêncio, não lembrava das partes separadas da noite anterior, aqueles pedacinhos de pano espalhados e de tamanhos diferentes.

Como se tranformaram em roupa?! como cabem em si tão perfeitamente?

Como se nunca tivessem sido de outro lugar se não juntos.

Pela manhã já não eram peças separadas eram uma só, eram parte do corpo de alguém, vestiam o vento, ainda sem o corpo. Profissão bonita essa, juntar panos pra vestir o vento e esperar. Esperar alguém que entre nela e seja exatamente e do tamanho do vento que estava lá.

(minha mãe me deixou a costura de presente. a memória desse tempo tem servido pra me ajudar a escrever uma história. não sei se será publicada, mas passear por estas cenas tem sido bem lindo)